sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Rio : Comunidade Nova Divinéia

As favelas pacificadas estão para os cariocas como a Alemanha Oriental estava para a Alemanha Ocidental, depois da queda do muro. Um mundo novo a ver. Expulso o domínio do tráfico, aparecem as comunidades que mais lembram pequenas cidades interioranas, com patrimônios que vão das paisagens a botecos agradáveis.

Ontem subi a pé a Favela Nova Divinéia, que fica incrustada no Morro do Andaraí ao final da Rua Borda do Mato e da Rua Alfredo Pujol, no Grajaú. Surgiu em 1971 a partir de uma favela pré-existente na Borda do Mato, de onde saem os famosos cavalos e charretes que vemos na Praça Xavier de Brito, na Muda, fazendo seu cortejo pelas ruas do Grajaú pela manhã e à noite. Um exercício bem mais puxado que ficar dando voltas caminhando em praças.

Uma vez tentei subir lá de carro, e fui barrado no alto da Borda do Mato por sucatas colocadas por traficantes na pista e gente armada. Dei a volta rapidinho e fui embora. Hoje há dois contêineres de UPP no topo do morro, que fazem parte da UPP do Andaraí. Praticamente não há mais marcas do tráfico, que deve ter tido na favela um ponto estratégico pela visibilidade do movimento de veículos no Grajaú, podendo antever invasões e tirar proveito de melhores locais para atirar em quem se aproximasse.

Interessante é de lá ver uma faixa verde na encosta separando a favela e a vizinha, João Paulo II, do restante do bairro, acima da rua Raja Gabaglia. Quem olha de baixo não tem noção do que há por trás da faixa verde. Como em toda comunidade pacificada, o que se nota nas ruas é a presença de idosos, mulheres e crianças, enquanto os mais jovens trabalham fora.

Onde já passei notei que as pessoas são atenciosas com os "forasteiros", cumprimentam e dão informações sem problemas. E o termo "favela" vai se desfazendo à medida que se anda nas ruas pavimentadas e nos becos e escadarias cimentados, sem nada de barro aparente.

Casas improvisadas, até milagrosamente construídas, com TV por satélite, eletrodomésticos, e comércio variado, com muita produção dos próprios moradores. Chama a atenção a quantidade de estabelecimentos religiosos, entidades de caridade e órgãos públicos da área de ação social para uma população relativamente pequena. Além da UPP, a comunidade conta com esquema de contingência em caso de chuvas.

O destaque nas fotos é a visão lateral do cartão postal do Grajaú, o Bico do Papagaio (ou Perdido do Andaraí). Há belas vistas do Grajaú e da planície que vai até a Baía de Guanabara, com a Ponte Rio-Niterói ao fundo. No centro da comunidade, onipresente, está a Subestação do Grajaú de Furnas, que recebe as linhas de transmissão das usinas nucleares de Angra. 

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