sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Mínimo de R$ 545 : a direita coerente

No episódio da votação do salário mínimo no Congresso, a proposta do governo do PT de R$ 545 teve que ser confrontada com a do DEM + centrais sindicais de R$ 560 e com a dos tucanos de R$ 600. Incoerências para todo o gosto, pois os que dizem defender o trabalhador e estão no governo estão mais preocupados com o equilíbrio fiscal que com o aumento da renda dos mais pobres; as centrais sindicais, aliadas com o DEM, chutando para cima a regra de reajuste automático anual com aumento real dependente do PIB; os tucanos, que batem no peito para se dizerem neoliberais, defendendo um reajuste que nem os governadores e prefeitos do próprio partido se propoem a pagar, apenas para marcar posição e fazer demagogia.

Chamou a atenção a votação de alguns parlamentares identificados com a direita, que foram extremamente coerentes, apoiando a proposta do governo, que entre todas era a pior para os trabalhadores, de R$ 545. Embora discorde, acho correto que votem no que defendem, ou seja, o arrocho salarial para os mais pobres para forçar o superávit fiscal e aliviar os impostos.

São eles: a senadora ruralista Kátia Abreu (DEM-TO) e os deputados Jairo Ataíde (DEM-MG), Vitor Penido (DEM-MG), Luis Carlos Leréia (PSDB-GO) e Manuel Salviano (PSDB-CE). Alguns desses deputados, entretanto, votaram além da ideologia: alinharam-se com o governo para buscar mudar de partido e fazer, em breve, parte da base aliada. Já a senadora atendeu a pedido de prefeitos da base do partido, que pressionaram pelo menor mínimo possível para não comprometer as contas das prefeituras.

Um comentário:

  1. Neste episódio, ficou mal também o PSOL. Os companheiros perderam a oportunidade de marcar posição com o minimo constitucional, calculado pelo DIEESE em cerca de R$ 2.300,00.

    Ao propor R$ 700,00 (sob o argumento que Lula teria prometido), entrou no leilão oportunista e acabou jogando pela direita e votando com ela.

    Fazer oposição pela esquerda parece ser mais difícil do que se imagina.

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